Em 1494, o Tratado de
Tordesilhas firmado
entre Portugal e Espanha estabelecia a dimensão de suas posses
recém-descobertas, inclusive nas terras americanas. O tratado definia, como
linha de demarcação, um meridiano 370 léguas a oeste do arquipélago de Cabo Verde, passando sobre o território de
Iguape . Possivelmente desde 1498, já vivia, na
região, o aventureiro espanhol Ruy Garcia Moschera, a quem é oficialmente
atribuída a fundação do município. Moschera vivera anteriormente no Rio da Prata e se instalara ali possivelmente por ser
aquela uma região de disputa entre espanhóis e portugueses. Por volta do ano
1502, o degredado português Cosme Fernandes, conhecido como "Bacharel
de Cananeia", também tornou-se uma figura
poderosa na região, vindo a possuir muitos escravos e não prestando obediência
à coroa portuguesa.
Em 1532, pouco depois de chegar
ao Brasil, Martim Afonso de
Sousa ordenara
a desocupação por Moschera e pelo Bacharel do território onde hoje está Iguape,
que pertenceria à coroa portuguesa. Não sendo atendido, ordenou uma expedição
chefiada por Pero de Góis que deveria executar a desocupação à força.
Informados sobre a expedição, Moschera e o Bacharel, apoiados por indígenas
flecheiros carijós, capturaram um navio corsário francês e desbarataram a força portuguesa.
Entre os anos de 1534 e 1536, as forças de Moschera e do Bacharel destruíram a
vila de São Vicente,
matando a maior parte da população, libertando os prisioneiros e incendiando o
cartório onde estavam os registros oficiais do município, levando inclusive o
Livro do Tombo, fonte oficial de informação sobre a região de Iguape e sobre
seus fundadores. Após os ataques, Moschera retornou ao rio da Prata.
A povoação de Iguape continuou
sob o domínio do Bacharel Fernandes e teve sua primeira igreja, em homenagem a Nossa Senhora das
Neves, construída em 1537. A data de fundação de Iguape foi
estabelecida em 3 de dezembro de 1538,
ano em que Iguape e Cananeia se separaram. Em 1577, o povoado foi elevado à
categoria de "Freguesia de Nossa senhora das Neves da Vila de
Iguape", ano em que foi aberto o primeiro livro do tombo da Igreja de Nossa Senhora das
Neves.
Existente até o primeiro
quartel do século XVII onde
hoje está à vila de Icapara, a falta de água potável, a falta de espaço para
expansão e eventuais ataques piratas levaram à transferência da freguesia para
uma área alguns quilômetros ao sul por ordem do fidalgo português Eleodoro Ébano
Pereira. Ainda no século XVI, haviam sido descobertos os
primeiros sinais de ouro na região do Vale do Ribeira. Devido à sua abundância, a
procura logo se intensificou e, rapidamente, a exploração do ouro de aluvião se
tornou a principal atividade econômica do município. Para evitar o contrabando
e intensificar a cobrança de impostos pela coroa portuguesa, foi fundada, por
volta de 1630, a Casa de Oficina
Real de Fundição de Ouro, que é considerada a primeira do gênero no Brasil.
Em 1918,
o pintor Trajano Vaz retratou o encontro da imagem do Senhor Bom Jesus
de Iguape, na Praia do Una, em 1647.
Em 1647, no auge da riqueza proporcionada
pelo ouro, Iguape transformou-se em um centro de peregrinação. Na descrição do
aparecimento da imagem do Senhor
Bom Jesus de Iguape dois índios
que iam a caminho da Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém acharam um vulto desconhecido rolando
nas ondas, e levaram-no para a praia, onde cavaram um buraco e o colocaram em
pé com o rosto para o nascente.
Ao retornar, os índios acharam a imagem no mesmo lugar, mas com o rosto virado
para o poente, e achara estranho
não haver vestígio sequer de que alguém o tivesse movido. A notícia se espalhou
e a imagem foi levada para um riacho no sopé do Morro do Espia, onde, sobre as
pedras, foi banhada para lhe retirar o sal marinho e ser encarnada novamente.
Depois de ser decorada, foi entronizada no altar-mor da antiga Igreja de Nossa Senhora das
Neves.
Construção
da Igreja Matriz de Nossa Senhora das
Neves, iniciada em 1780
Na década de 1780, foi dado
início à construção da nova igreja matriz, haja vista a outra estar em
precárias condições. Feita de argamassa, óleo de baleia e pedras retiradas da
face marítima do morro, todo o trabalho era executado pela população,
voluntária e gratuitamente. Em 1798, as obras estavam avançando lentamente, e
em 1800, estas pararam, retornando em datas esporádicas. Em 1822, foram
contratados, no Rio de Janeiro,
um mestre e três canteiros e em agosto do mesmo ano recomeçou-se a obra. A
igreja foi concluída em julho de 1856,
e no dia 8 de agosto do mesmo ano, foram trasladadas as
imagens da antiga igreja para a nova Igreja Matriz. Em 3 de abril de 1848,
a vila fora elevada à categoria de cidade, com o nome de "Bom Jesus da
Ribeira", no ano seguinte modificado para "Bom Jesus de Iguape".
Arroz e o Valo Grande
Engenho
Central Casavecchia, considerado o maior da região
Com o esgotamento das minas e
com o descobrimento de ouro no interior do Brasil, o município rapidamente
entrou em declínio, voltando depois a crescer com o desenvolvimento da
indústria de navegação e com a plantação de arroz. A partir daí Iguape iniciou
um período de riqueza e atingiu seu ápice de desenvolvimento em meados do século XIX, com a construção dos principais
casarões que ainda hoje podem ser vistos no centro histórico, com dois portos
movimentados, teatros, quatro jornais diários e o
vice-consulado português. Iguape havia se tornado uma dos principais do
município do sul do Brasil, a ponto de, em 1841, o ainda adolescente imperador dom Pedro II ter concedido a Antônio
da Silva Prado, político e senhor de terras, o título de Barão de Iguape.
Até meados do século XIX,
Iguape sempre havia sido uma espécie de península, com o Rio Ribeira de Iguape serpenteando até quase três quilômetros do
mar e depois retornando para o interior, só encontrando sua foz muitos
quilômetros adiante. As sacas de arroz que vinham da zona rural eram
descarregadas no Porto do Ribeira, fluvial, de onde eram transportadas em lombo
de burro ou carroças por aproximadamente três quilômetros até o
Porto Grande, marítimo, onde eram embarcadas para exportação. O inconveniente
de se ter de transportar o arroz por terra em um trecho tão curto levou à ideia
e se construir um canal que ligasse o rio ao mar, permitindo assim o transporte
direto do arroz até as embarcações de grande porte. Após décadas de debates
sobre o melhor local para a construção do canal, decidiu-se pelo trecho mais
curto, que era também o mais arenoso e, portanto, mais fácil de ser construído.
O canal foi construído por
escravos por mais de duas décadas e começou a ser utilizado em 1852. Inicialmente um canal estreito, com
cerca de quatro metros de largura, o canal rapidamente começou a alargar, não
resistindo à imensa corrente de água. Por volta de 1900, com a contenção das margens,
controlou-se o controle do fluxo de água no canal, mas O Mar Pequeno ficou assoreado, o que acabou impedindo a entrada de
navios grandes no porto. O porto da cidade já não podia ser utilizado por
embarcações de maior calado, impedindo assim a saída do arroz e levando à
decadência da cultura de arroz da cidade. Além disso, o atalho encontrado
pelo rio através do canal acabou influenciando fortemente o ciclo de cheias que
inundavam a região periodicamente e que a tornavam tão fértil. O impacto
causado pelo Valo Grande, o declínio da cultura de arroz e os problemas
políticos levaram à decadência do município no final do século XIX. De um
importante centro agroexportador, a
cidade foi aos poucos perdendo importância.
Geografia
Iguape possui uma área de 1
980,916 km², sendo assim o maior
município do estado de São Paulo em tamanho territorial. Abriga também as Áreas de Relevante Interesse Ecológico Ilha Ameixal, de 400 hectares, localizada no rio Una do
Prelado, criada pelo Decreto n.º 91.889 de 5 de novembro de 1985, parte da Zona de Vida Silvestre - Área de Proteção Ambiental de
Cananéia-Iguapé-Peruíbe, criada pelo decreto n.º 90.347 de 23 de outubro de 1984 e
complementada pelo decreto nº 91.892 de 06 novembro de 1985, e parte da ZVS - APA
Ilha Comprida, criada pelo decreto n° 26.881, de 11 de março de 1987 e
regulamentada pelo decreto n° 30.817, de 30 de novembro de 1989.
Município da Estância Balneária de Iguape
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"Princesa do Litoral"
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Fundação
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3 de dezembro de 1538 (476 anos)
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iguapense
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Localização
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